O novo não se guarda
Apenas no dia posterior
Cada um aguarda até de madrugada
A sua dose diária de amor
Para viver hoje
O novo não mora só
Na aurora mesmo sem a luz do sol
O novo veio pois já se trouxe
Pelo anseio doce
Aparentemente pusilânime
Na firmeza silente da fé
Tudo se move na sua hora
Embora pareça tarde
As Pirâmides de Gizé
São o marco zero da humanidade
Que virou um sério banzé
Cara, você não quer mais pertencer:
Quer fazer sentido
Camarada, ser você agora é
O seu caminho
Mesmo que frustre mofadas expectativas
Não precisa mais polir o lustre
Tem que confiar na intuição amiga
Não é um tempo de agradar o clube
Mas de ajustar a sua trajetória
Ou você se posiciona na zona da nuvem
Ou lhe empurram para fora
Da região da alucinação
Sem rigidez na estrutura
Disciplina sem autoanulação
Responsabilidade sem culpa
Você não quer mais caber na foto
Perante o desejo do êxito
Não vai aparecer o novo
Somente quando abrir os olhos
Com zelo onde estiver
A peça nos seus trâmites
Embora soe um papel ilusório
Consoante a constelação de Órion
As Pirâmides de Gizé
Marco zero da humanidade
Na construção, trabalhadores livres
Eis o único milagre
Do mundo ancião que sobrevive
As quatro faces laterais,
Da Grande Pirâmide de Gizé
Estão conforme os pontos cardeais
Conectando Rá, o deus do sol, aos faraós
Blocos de até dez toneladas
Deslocados por trenós
Sobre areia molhada
Para facilitar o deslizamento
Usando artesãos, polés
E engenheiros no erguimento
Das Pirâmides de Gizé
Velha Maravilha ainda de pé
O novo não irrompe
Apenas no dia seguinte
Que logo será ontem
A dose diária de requinte.